Política O Monitor de Angola

Loading...

O Monitor de Angola No 2, 2016 O Monitor de Angola aborda política, economia, desenvolvimento, democracia e direitos humanos em Angola. É publicado trimestralmente pela Ação pela África Austral (ACTSA, sigla em inglês).

Esta edição cobrirá: Política: Presidente José Eduardo dos Santos deixará cargo em 2018; mudanças no governo; visita do ministro do Interior angolano ao Reino Unido; estreitamento de laços entre Angola e Rússia. Economia: Pedido de empréstimo ao FMI; moeda angolana continua a desvalorizar-se; Angola é vista como país altamente corrupto; Reino Unido busca fortalecimento de parcerias comerciais com Angola. Direitos humanos: Ativistas do Clube do Livro são condenados; críticas ao processo e pedidos de libertação dos ativistas; líder de seita é condenado a 28 anos de prisão; departamento de Estado americano diz que violações dos direitos humanos continuam; Ajuda e desenvolvimento: Epidemia de febre amarela; insegurança alimentar atinge níveis agudos; desminagem.

Esta edição também está disponível em inglês.

Mensagens de nossos leitores são bem-vindas. Por favor envie os comentários para [email protected] Para mais notícias e informações sobre Angola e a África austral, visite o sítio do ACTSA: www.actsa.org, curta a nossa página do Facebook ou siga-nos no Twitter através de @ACTSA_UK.

Política Presidente José Eduardo dos Santos encerrará suas atividades políticas em 2018 No início de março, José Eduardo dos Santos, o segundo chefe de Estado mais longevo da África, atrás apenas do presidente da Guiné Equatorial, informou o comitê central do MPLA que encerraria suas atividades políticas em 2018. Isto ocorrerá após as eleições nacionais de 2017. O presidente havia afirmado anteriormente que pretendia permanecer no cargo até pelo menos as eleições de 2017 (ver O Monitor de Angola 3:2015).

Em Angola, o presidente é eleito pela Assembleia Nacional. Aparentemente, José Eduardo dos Santos pretende ser reeleito presidente para então renunciar um ano mais tarde, deixando que o vice-presidente assuma o cargo. Esta pode ser uma tática para garantir que ele possa decidir quem será seu sucessor, ao invés de deixar a presidência antes das eleições de 2017. Alguns questionam se o presidente realmente deixará o cargo, uma vez que ele já indicou diversas vezes no passado que o faria, mas, após 37 anos, ainda ocupa a presidência. No entanto, esta é a indicação mais clara que o presidente já deu de que deixaria o cargo.

A constituição estabeleceu em 2010 um limite de dois mandatos de cinco anos para a presidência. Embora o presidente José Eduardo dos Santos ocupe o cargo desde 1979, a lei não é retroativa e ele poderá, caso seu partido vença as eleições, permanecer na presidência até 2022.

Aumentam as especulações acerca do nome que o MPLA escolherá para ser candidato a vice-presidente em 2017. O escolhido será o atual vice-presidente, Manuel Vicente, ou algum membro da família Santos? A decisão sobre a sucessão será decidida pelo partido ou pela família do presidente? Ministros demitidos em reestruturação do governo No início de março, vários ministros foram demitidos pelo presidente José Eduardo dos Santos. Foram exonerados os ministros de Urbanismo e Habitação, do Comércio, e da Cultura, além dos secretários de Estado das Pescas para Aquicultura, da Saúde, e da Hotelaria. O governador de Cuanza Norte também foi substituído. Angola presidirá o Conselho de Segurança da ONU em março Angola, eleita em 2014 membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU para um mandato de dois anos, presidirá o Conselho de Segurança em março de 2016. A presidência do conselho é definida a partir de um rodízio dos membros.

Cimeira da Região dos Grandes Lagos é adiada novamente A cimeira de chefes de Estado e governo da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos (ICGLR, sigla em inglês) estava agendada para acontecer no dia 30 de março em Luanda. No entanto, a reunião foi adiada devido ao adiamento da posse do presidente da República Centro Africana. Inicialmente, pretendia-se realizar o encontro em fevereiro, mas a data foi remarcada para março. A ICGLR é uma organização intergovernamental que abarca os 12 países da Região dos Grandes Lagos.

Angola participa do quadragésimo aniversário da República Árabe Saharaui Democrática Angola foi representada pelo ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, durante as comemorações que marcaram o quadragésimo aniversário da República Árabe Saharaui Democrática. A RASD é reconhecida pela União Africana, mas não pela ONU, nem pelo Marrocos. O último reclama boa parte do território da RASD. Por este motivo, Marrocos é o único Estado africano que não é membro da União Africana. O território que até 1975 era conhecido como Sahara Espanhol é disputado pela RASD, pelo Marrocos, que controla boa parte de seu território, e pela Mauritânia. Pedidos da ONU por um referendo internacionalmente supervisado para decidir se o território deveria ser independente são ignorados pelo Marrocos. Ministro angolano visita o Reino Unido Em março, o ministro do Interior de Angola, Ângelo Veiga Tavares, realizou uma visita de três dias ao Reino Unido. O propósito da visita foi o estreitamento das cooperações na área de segurança. Além de várias reuniões, a delegação angolana visitou uma exposição de equipamentos de segurança e policiamento. Angola e Reino Unido assinam acordo de busca e resgate no Atlântico Sul. Angola e Reino Unido assinaram um acordo de cooperação de busca e resgate no Atlântico Sul. O acordo acontece após a construção de um aeroporto em Santa Helena. Voos para a ilha deverão ter início no final deste ano. Até 2015, nenhum avião havia pousado na ilha que é uma das mais remotas do mundo, distante cerca de dois mil quilômetros de Angola. Voos para Santa Helena terão que passar pelo espaço aéreo angolano. A ilha de Santa Helena é atualmente abastecida por um navio a ser substituído por um voo semanal que partirá de Johanesburgo. Angola e Rússia estreitam relações Nos dias 14 e 15 de abril, em Luanda, Angola e Rússia realizaram o encontro da Comissão Econômica Intergovernamental Russo-Angolana. O comércio entre os dois países tem crescido. Afirma-se que o aumento tenha sido de quatro vezes em 2015, alcançando a cifra de 255 milhões de dólares. A antiga União Soviética apoiou ativamente o MPLA nas décadas de 1970 e 1980. A desintegração da União Soviética e mudanças em Angola levaram a um enfraquecimento dos laços entre os países. Atualmente, ambos os países parecem buscar fortalecer as cooperações por motivos políticos e econômicos.

Morre Lúcio Lara No dia 27 de fevereiro de 2016, Lúcio Lara, secretário da organização do MPLA no momento no qual Angola tornou-se independente, em 1975, morreu aos 86 anos. Muitos pensavam que ele poderia ter sucedido Agostinho Neto após sua morte, em 1979, mas Lúcio Lara, além de mobilizador e ativista, era visto também como um intelectual e não disputou a liderança do partido. Ele apoiou José Eduardo dos Santos a tornar-se presidente.

Economia Angola pede ajuda ao FMI Angola requisitou 1.5 bilhão de dólares ao FMI em um programa de auxílio de três anos. A queda do preço do petróleo leva à redução dos recursos financeiros do país. O petróleo representa mais de 50% dos recursos do governo e 90% das exportações. O valor do barril de petróleo aumentou de 30 dólares em janeiro para 42 dólares em meados de abril. Angola estimou que o preço do petróleo seria de 45 dólares quando definiu o orçamento para 2016. O país sofre com a carência de moedas estrangeiras, especialmente dólares, e desvalorizou sua própria moeda, além de ter aumentado os juros diversas vezes nos últimos meses. A inflação permanece em alta e em fevereiro de 2016 era de 20%. Angola busca aplacar temores acerca do estado de sua economia, mas alguns especialistas acreditam que o país necessitará de mais assistência internacional. Sugere-se que as cifras necessárias estejam entre cinco e oito bilhões de dólares. Há relatos de que o governo angolano pegou dinheiro emprestado do Fundo Soberano para pagar salários do setor público.

A relação com o FMI indica uma mudança na abordagem do governo angolano. O governo não deseja que o FMI defina condições como transparência e termos de responsabilidade para liberar os recursos. Em 2009, após a crise econômica global, o país recebeu um empréstimo emergencial do FMI, mas agora busca uma ajuda de longo prazo. A grande questão é se o governo angolano entende o momento como um problema de curta duração e espera que os valores do petróleo aumentem, aproximando-se dos níveis vistos entre 2011 e 2014, ou entende como uma questão de longa duração que requer uma reestruturação da economia visando reduzir a dependência com relação ao petróleo.

Moeda angola continua desvalorizando-se O Kwanza, moeda angolana, continua em queda frente ao dólar. Em janeiro, a moeda sofreu desvalorização pela terceira vez em sete meses. Em meados de abril, a taxa de câmbio oficial era de 165 kwanzas para cada dólar. A taxa extraoficial ou do mercado negro estava na casa de 400 kwanzas por dólar. A desvalorização do Kwanza faz com que os produtos importados sejam muito mais caros, mas significa também que o país está recebendo mais em moeda local pelo petróleo que vende.

Angola é vista como país altamente corrupto No Índice de Percepção da Corrupção (IPC) de 2015, publicado pela Transparência Internacional no final de janeiro de 2016, Angola ficou na posição 163 entre 167 países. O IPC utiliza dados de diversas fontes para indicar como pessoas de negócio e outros especialistas percebem o nível de corrupção do setor público. O índice analisa 167 países, com o Zimbábue ocupando a 150ª posição, a República Democrática do Congo (RDC) na 147ª posição, Moçambique na 112ª, África do Sul 61ª, Estados Unidos 16ª e Reino Unido na 10ª posição.

Nomeada a nova enviada britânica para Negócios em Angola A baronesa Northover foi nomeada enviada especial do primeiro-ministro britânico para Negócios entre Angola e Reino Unido. A baronesa tem a função de incrementar o comércio e a cooperação econômica entre os países. Ela substitui David Heath, que renunciou ao cargo de Membro do Parlamento nas eleições de 2015. Baronesa Northover, assim como David Heath, é filiada ao partido Liberal Democrata e foi subsecretária parlamentar de Estado no Departamento de Desenvolvimento Internacional entre 2014 e 2015.

Delegação empresarial da cidade de Londres Em fevereiro, Jeffrey Mountevans, Lord Mayor da cidade de Londres, liderou uma delegação empresarial que visitou Angola. Ele esteve presente e discursou na recémfundada Câmara de Comércio Angola- Reino Unido e em um seminário sobre investimentos público/privados, focando nas perspectivas e planos para Luanda até 2030. O Lord Mayor da cidade de Londres promove o setor financeiro e de serviços da City (coração financeiro do Reino Unido).

Direitos Humanos Ativistas do Clube do Livro recebem penas de dois a oito anos e meio de prisão No dia 28 de março, a justiça angolana condenou 17 jovens ativistas. As sentenças variam de dois anos e três meses a oito anos e seis meses. O grupo, conhecido também como 15+2, foi preso em junho de 2015. Os ativistas foram acusados de planejar uma rebelião através de ações de massa e de produzir passaportes falsos. A defesa afirmou que eles faziam parte de um clube do livro que estava organizando a leitura da obra “Da ditadura à democracia: uma estrutura conceitual para a libertação”, de Gene Sharp. A sinopse do livro o descreve como “um modelo para resistência não violenta a regimes repressivos”. O veredito atraiu críticas consideráveis às quais o governo angolano tem respondido raivosamente.

A Anistia Internacional soltou um comunicado assinado pelo diretor para a África Austral, Deprose Muchena, no dia 29 de março, dizendo que “A Anistia Internacional considera os 17 ativistas prisioneiros de consciência. Eles não deveriam ter passado um dia sequer na cadeia e devem ser libertados imediatamente e incondicionalmente, além de terem suas condenações anuladas... As injustificáveis e draconianas condenações contra estes ativistas pacíficos, que nunca e em hipótese alguma deveriam ter sido detidos, demonstra como as autoridades angolanas usam o sistema de justiça penal para silenciar visões dissidentes. Esta decisão judicial está em total contrariedade com os preceitos da justiça... Os ativistas foram condenados erroneamente, em um julgamento explicitamente político. Eles são vítimas de um governo determinado a intimidar qualquer pessoa que ouse a questionar suas políticas repressivas”.

União Europeia demonstra preocupação com julgamento No dia 29 de março de 2016, a delegação da União Europeia em Angola emitiu um comunicado em nome da União Europeia, das embaixadas dos Estados membros e da embaixada da Noruega expressando preocupação com os julgamentos dos 17 ativistas. “Este caso levanta reservas em relação às devidas garantias em processos penais e ao princípio da proporcionalidade. A União Europeia e seus Estados membros tiveram o acesso ao julgamento negado repetidamente. A UE espera que as vias legais disponíveis para recursos sejam garantidas, em total acordo com os direitos e princípios consagrados pela Constituição Angolana. A UE mantém-se comprometida em auxiliar as autoridades

angolanas na implementação de seus compromissos internacionais e na promoção e proteção dos direitos humanos”. Governo angolano afirma que comunicado da União Europeia é inaceitável O governo angolano afirmou que o comunicado da União Europeia é um inaceitável envolvimento em questões internas do país, disse ainda que a UE estava agindo de forma inconsistente uma vez que reconhecia os compromissos de Angola com a proteção e promoção dos direitos humanos através do mecanismo de diálogo “Caminho Conjunto Angola-União Europeia”. O governo de Angola afirmou, ainda, que o judiciário é independente do executivo e não deve ser colocado sob pressão externa.

O Grupo Parlamentar Multipartidário do Reino Unido clama pela libertação dos 17 ativistas O Grupo Parlamentar Multipartidário do Reino Unido (APPG, sigla em inglês) publicou um comunicado expressando preocupação com o bem estar dos 17 ativistas, alguns deles já fizeram greve de fome. A APPG “conclama todas as partes interessadas, incluindo o parlamento angolano e o sistema judiciário do país, e os homólogos de Angola na comunidade internacional a apoiar e promover o direito à liberdade de expressão, liberdade de assembleia e de manifestação pacífica e desarmada, além do direito a um julgamento justo e ágil de acordo com a Constituição angolana e dentro dos preceitos da lei internacional... A decisão de prender ativistas significa uma ação preocupante para reprimir posições políticas, minando progressos significativos feitos por Angola em anos recentes... É de vital importância que a comunidade internacional e o Reino Unido continuem a apoiar Angola e os angolanos a progredirem na transição pós-conflito. Deste modo, a APPG pede a libertação imediata dos ativistas presos”. Líder de igreja condenado a 28 de anos de prisão O líder da igreja milenarista do Sétimo Dia a Luz do Mundo, José Julino Kalupeteka, foi condenado a 28 anos de prisão após ter sido considerado culpado por assassinato, tentativa de assassinato, resistência à prisão, porte ilegal de armas e destruição de patrimônio. Outros nove membros da igreja receberam penas que variam entre 16 a 28 anos. Eles também foram obrigados a pagar indenizações às famílias dos mortos. O governo afirmou que os membros da seita mataram nove policiais quando estes invadiam as premissas da igreja no monte Sumi, província do Huambo, em abril de 2015. O governo assume que 13 civis foram mortos, mas alega que eles teriam atacado a polícia e as forças de segurança. Outras fontes afirmam que o número de civis mortos é muito maior. A UNITA, principal partido de oposição, diz que mil pessoas foram massacradas, incluindo

mulheres e crianças. No entanto, nenhuma evidência que sustentasse tal afirmação foi fornecida. Vários observadores suspeitam que o número verdadeiro de mortos seja maior que aquele admitido pelo governo, mas menor que o apresentado pela UNITA. O que aconteceu naquele fatídico dia de abril de 2015 ainda é tema de controvérsias.

Departamento de Estado americano: violações aos os direitos humanos continuam O Departamento de Estado dos Estados Unidos disse no seu relatório anual sobre direitos humanos de 2015 que Angola continua a violar os direitos humanos. Segundo o relatório, as três formas principais de abuso são (1) as punições cruéis, excessivas e degradantes, incluindo casos de tortura e açoite, (2) limitação à liberdade de assembleia, associação, expressão e imprensa, e (3) a corrupção oficial e impunidade.

Outras violações aos direitos humanos mencionadas no relatório incluíram privação ilegal e arbitrária da vida, condições prisionais severas e que oferecem risco à vida, prisões e detenções arbitrárias, prisões preventivas muito longas, impunidade aos violadores dos direitos humanos, falta de processos judiciais conforme as leis e ineficiência judicial, desalojamentos forçados sem indenização, restrição às atividades de organizações não governamentais, tráfico humano, limitação de direitos trabalhistas, e trabalho forçado. O relatório afirma que apesar dos esforços para coibir abusos por parte de agentes do Estado angolano, estes esforços ainda são limitados devido à falta de transparência e responsabilidade, à cultura da impunidade e à corrupção governamental generalizada. Human Rights Watch: violações aos direitos humanos continuam A ONG Human Rights Watch disse em seu relatório de 2015 acerca dos direitos humanos em Angola que as violações continuam, apesar das promessas de proteção aos direitos humanos feitas pelo governo.

Ajuda e desenvolvimento Febre Amarela: primeira epidemia em 30 anos Angola está lutando contra uma epidemia de febre amarela, primeira a atingir o país em 30 anos. No dia 7 de abril de 2016, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou sobre a existência de 1.708 casos suspeitos e 238 mortos pela doença. O primeiro caso foi reportado no dia 21 de janeiro na zona urbana de Viana, em Luanda. A doença agora espalhou-se pelo país. 16 das 18 províncias já apresentaram casos, além de outros países

como a República Democrática do Congo (RDC), Quênia e China. O diretor geral e diretor regional para a África da OMS visitou Angola no início de abril. O país está dando início a um grande programa de vacinação. O objetivo é eliminar a epidemia até o dia 15 de maio de 2016. “Epidemias [de febre amarela] geralmente acontecem em florestas tropicais”, informou o Dr. Sérgio Yactayo, especialista em doenças epidêmicas da OMS. “Como a maioria dos casos identificados encontra-se na capital Luanda, a situação é mais perigosa e difícil de controlar, pois a doença pode espalhar-se facilmente de uma pessoa para outra. Nos já estamos vendo casos em várias províncias fora de Luanda”. O vírus da febre amarela é transmitido por mosquitos infectados, a espécie mais comum é a Aedes aegypti – o mesmo mosquito que espalha o vírus da Zika. Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, dor muscular, náuseas, vômitos e cansaço. Uma parte menor dos infectados passam por uma segunda, e mais grave, fase da doença que inclui febre alta, icterícia e hemorragia. Pelo menos metade dos pacientes gravemente afetados e que não recebe tratamento morre entre 10 e 14 dias (página da OMS, 5 de abril).

Todos aqueles que irão viajar para Angola estão obrigados a apresentar um certificado válido de vacinação para provar que foram vacinados contra a doença.

Malária: meio milhão de pessoas em Luanda pode ter o parasita da malária No final de março, o ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo, informou durante uma coletiva de imprensa que o número de pessoas com malária nos primeiros três meses de 2016 era muito mais elevado que no primeiro trimestre de 2015 e que os dados permitem inferir que cerca de meio milhão de pessoas em Luanda pode ter o parasita da malária. Províncias do sul passam por crise alimentar aguda Estima-se que 1,4 milhão de pessoas vivem atualmente em situação de insegurança alimentar nas províncias do sul do país. Cunene, Huila e Namibe são as províncias mais afetas. A seca persistente tem impactado severamente a produção agrícola e rebanhos e é o fator determinante da situação atual. Os preços mais elevados dos alimentos aprofundam os problemas. Uma vez que muitos lares dependem da produção agrícola para sua subsistência, as estações consecutivas com baixa produção produzirão impactos agudos na segurança alimentar este ano. Na província do Cunene, a taxa de desnutrição é altíssima, acima dos 7% em crianças com menos de cinco anos. O governo angolano pediu assistência internacional e o Fundo de Resposta de Emergência Central (CERF) da

ONU providenciou cinco milhões de dólares em fevereiro de 2016 para combater a grave crise alimentar e desnutrição nas três províncias do sul mais afetadas. Desminagem Os governos da Noruega e do Japão estão providenciando 203 mil dólares para auxiliar na desminagem da província de Malanje. Planeja-se desminar uma área de 117 mil quilômetros quadrados em um ano. Entende-se que o auxílio do governo da Noruega será disponibilizado através da ONG norueguesa Norwegian People’s Aid.

O Instituto Nacional de Desminagem informou que 700 mil quilômetros quadrados na província de Cuando Cubango foram desminados em 2015. A ONG britânica Halo Trust reportou que tinha destruído 4.143 minas terrestres (2.943 antipessoais e 1.175 antitanques) e 250 mil artefatos bélicos não detonados em Cuito Cuanavale, leste da província do Cuando Cubango.

O Instituto Nacional de Desminagem também informou que 220 mil quilômetros quadrados foram desminados em Luanda Norte, no nordeste de Angola e 50 mil na província do Huambo. Oito bolsas de mestrado para estudar no Reino Unido No dia 23 de fevereiro, a Embaixada Britânica em Luanda assinou uma parceria Chevening com a petrolífera BP para oferecer até oito bolsas conjuntamente financiadas para acadêmicos angolanos fazerem cursos de mestrado no Reino Unido nos próximos dois anos letivos. A assinatura oficial foi presenciada pelo Lord Mayor da cidade de Londres, Jeffrey Mountevans, e pela enviada britânica para Negócios em Angola, baronesa Northover.

Chevening é o programa global de bolsas de estudos do governo britânico, financiado pelo Foreign and Commonwealth Office (FCO) e organizações parceiras. O programa oferece bolsas integrais para estudiosos notáveis com potencial de liderança ao redor do mundo estudarem em universidades britânicas. A petrolífera BP tem presença de mais de 25 anos em Angola. Na década de 1990, a BP adquiriu ações em quatro blocos de petróleo offshore em águas profundas em Angola. Em 2011, a BP comprou ações em cinco blocos de águas profundas e ultra-profundas nas bacias de Kwanza e Benguela. No portfólio de exploração e produção da BP, os blocos em Angola são vistos como alguns dos mais importantes.

O embaixador britânico em Angola, John Dennis, disse: “Estou muito entusiasmado em ver a BP ajudar o ilustre programa de bolsas Chevening em Angola. A contribuição da BP ajudará a estreitar ainda mais os fortes laços entre o Reino Unido e Angola e permitirá maior acesso a futuros tomadores decisão e formadores de opinião angolanos na educação britânica”. Paulo Pizarro, vice-presidente de Comunicações e Relações Públicas da BP disse: “Isto contribuirá com o crescimento e desenvolvimento profissional de futuros líderes em Angola, sendo ainda mais importante neste momento no qual estamos contribuindo com o fortalecimento da capacidade de incrementar a produção doméstica e sustentar um crescimento econômico em Angola”.

As matérias do Monitor de Angola não representam necessariamente qualquer posição acordada pelo ACTSA.

Loading...

Política O Monitor de Angola

O Monitor de Angola No 2, 2016 O Monitor de Angola aborda política, economia, desenvolvimento, democracia e direitos humanos em Angola. É publicado tr...

203KB Sizes 8 Downloads 26 Views

Recommend Documents

O Monitor de Angola
Esta edição cobrirá: Política: Congresso do MPLA; Dia da Independência; Angola fortalece laços com os Estados Unid

Portal de Angola | Notícias de Angola – Toda a informação sobre
SIC apresenta resultados preliminares do assassinato de Biatriz e Jomance ... Angola e RDC encerram primeira volta do ap

Portal – Bancos de Angola
Veja aqui tudo sobre Bancos de Angola, Lista de Bancos, Notícias, artigos, etc..

Jornal de Angola - Online
Artigos. O antes e o depois na ciência política · Adebayo Vunge | (*). Artigos. Comparticipação dos cidadãos nos serviço

Banco Nacional de Angola
Supervisão. Processos e Metodologia · Indicadores do Sistema Financeiro · Relatório de Supervisão · Instituições Finance

resultados preliminares - Embajada de Angola
Reprodução autorizada, excepto para fins comerciais, com Indicação da fonte bibliográfica. © INE. Luanda, Angola – .....

Monitor LCD de Acer
otro tipo, sin consentimiento por escrito de Acer Incorporated. Número de ... Después de establecer el nivel de volume

Ordem dos Farmacêuticos de Angola
Nos termos do número 2 do artigo 23º dos estatutos da Ordem dos Farmacêuticos de Angola (OFA), a sua Presidente de Mesa

Bibliographie de l'archéologie de l'Afrique Centrale : Angola
ALMEIDA (A.) et FRANCA (C.), 1954, Préhistoire de l'Angola, Actes du Congrès International de pré et protohistoire, Madr

angola - FIDH.org
governação, exploração de diamantes e petróleo, direito à habitação e corrupção, bem como à .... 7. Consultar Programa d

(66,63€/100ml) M. Asam Magic Finish 30ml | AE Television Networks | Infnix (2)